Os greatest hits serão coisa do passado?


Os discos, tal como os conhecemos, estão a chegar ao fim do seu tempo de vida. Não será amanhã nem tão pouco para o ano, mas podemos começar a pensar já numa cerimónia fúnebre que honre as suas três décadas e meia de existência.

Quem já entregou a sua alma ao criador e nem condolências recebeu foi o outrora popular formato do best of aka greatest hits, momento aproveitado no percurso de um artista para se fazer a revisão da matéria dada, celebrando o que ficou para trás e olhando com entusiasmo para um futuro ainda promissor.

Poderíamos imaginar um mundo onde Madonna, os ABBA, Queen, U2, Elton John, Bob Marley ou Britney Spears não nos tivessem oferecido um objecto de recordação com todas as canções que ajudam a explicar a sua significância para a esfera musical e que de uma forma ou de outra acabam por compôr também a nossa existência? Nem por sombras.

Mas podemos viver num universo em que - só para citar alguns exemplos - Beyoncé, Coldplay, Rihanna, Taylor Swift ou Kanye West nunca tenham feito uma retrospectiva de carreira? Irmãos da rodela, é complicado, bem sei, mas a importância destes astros deixou de se medir pela tangibilidade. Acedemos ao YouTube e em minutos encontramos a playlist que precisávamos com todos os êxitos de Chris Martin e companhia. Iniciamos sessão no Spotify e em pouco mais de uma hora e meia temos o mestrado feito na discografia da deusa dos Barbados. O consumidor tem o poder para escolher o seu alinhamento personalizado, sem deixar de fora aquele êxito imperdoável.

Se a quebra na venda de títulos inéditos por si só é acentuada, para quê investir em colecções de êxitos que podemos aceder à distância de um clique? É tudo uma questão de afectos e de perspectiva. É certo e sabido que Rihanna por esta altura já teria direito a um best of triplo, que bastava a Taylor Swift juntar um punhado de êxitos e incluir um ou outro inédito para vender um milhão só nos EUA na primeira semana. Que os Coldplay poderiam ter travado a curva descendente se entre Mylo Xyloto (2011) e Ghost Stories (2014) tivessem feito um pequeno balanço para apalpar caminho. Que The Life of Pablo (2016) é o greatest hits não oficial do visionário Yeezy ou que de 4 (2011) para o homónimo de 2013 houve uma mutação notória na identidade artística de Beyoncé e nada nos preparou para isso. E também que uma hipotética retrospectiva destes nomes mencionados embelezaria em tudo a prateleira lá de casa.

A desaceleração é global. Uma consulta rápida à omnisapiente wikipédia revela-nos que há vinte anos foram editados 107 títulos best of. Se recuarmos dez, o número é ainda superior: 183. Chegados a 2016, a crise está mais do que instalada: apenas 14 colectâneas de êxitos, sendo que dessas apenas duas dizem respeito a artistas de grande dimensão e que já não pertencem ao mundo dos vivos - 4Ever de Prince e Bowie Legacy.

O desafio passará agora por se comemorarem décadas, aniversários ou palmarés artísticos através de outros métodos mas com a vontade e o brio de outrora. É nesse espírito que recuperamos 30 canções nascidas de retrospectivas que coroaram pináculos nos percursos dos seus autores:



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