2016, Um Balanço Sónico- Os Vídeos

Vinte momentos audiovisuais que ficarão na história de 2016:



Beyoncé- "Formation" (Realização: Melina Matsoukas)- O mundo parou (uma vez mais) para assistir ao momento em que Queen B convocou as suas tropas e informou a população de que passaria a ser uma voz activa do movimento Black Lives Matter. É a maior demonstração de orgulho e poder em torno da comunidade afro-americana a que a pop assistiu nos últimos doze meses. E também o vídeo com maior relevância e impacto cultural do ano. 

Charli XCX- "Vroom Vroom" (Realização: Bradley & Pablo)- Vivemos todos para o momento em que Charli XCX libertou a sua Britney Spears interior. Visualmente sofisticado, impecavelmente editado e com aprumada coreografia aux point. Que arraso. 

Grimes- "Kill V. Maim" (Realização: Grimes and Mac Boucher)- Megalómana e insana fantasia cyberpunk criada em torno de um dos mais extasiantes momentos de Art Angels, com referências a Zelda, Dark Souls e Mad Max. 

Jamie xx- "Gosh" (Realização: Romain Gavras)- O tema de abertura do álbum a solo de Jamie xx já tinha ilustração, mas a visão criativa que o conceituado realizador de vídeos de M.I.A. ou Justice desenvolveu parece tão mais dignificante. Colírio extra-sensorial. 

Solange- "Cranes In the Sky" (Realização: Alan Ferguson e Solange Knowles)- A irmã mais velha pode ter arrastado consigo toda a pompa, mas a Solange sobra substância. O maravilhoso vídeo de "Cranes in the Sky" abre uma janela do sofrimento inscrito nos versos para um paraíso escapista onde a encontramos nas mais profundas contemplações. 

Solange- "Don't Touch My Hair" (Realização: Alan Ferguson e Solange Knowles)- É impossível referirmos a marca autoral de Solange este ano sem olharmos também para "Don't Touch My Hair", ténue reivindicação pelos direitos da comunidade afro-americana, em mais um vídeo de compelativa beleza e apurada direcção artística, com um bailado que assume heranças de Pina Bausch. 

Anohni- "Drone Bomb Me" (Realização: Nabil Elderkin)- Seria tão trágico ver estes versos de flagelação levados à letra. Em vez disso temos uma Naomi Campbell em exímio exercício de playback lavada em lágrimas e cercada por krumpers, o que inexplicavelmente é também levemente triste. Anohni, porque nos fazes isto? 

Massive Attack- "Come Near Me" (Realização: Ed Morris)- Do quinteto de vídeos que Grant Marshall e Robert Del Naja libertaram este ano, "Come Near Me" terá de ser o mais impressionante de todos. A inquietante e silenciosa marcha inversa conhece um desfecho sinistro após seis longos minutos, mas é o suspense e incompreensão que a conduzem que se revelam verdadeiros triunfos. 

The Weeknd- "False Alarm" (Realização: Ilya Naishuller)- Para a mais inprovável das canções de The Weeknd, também a narrativa visual mais impensável. O melhor thriller de acção feito canção de 2016 que nos coloca no centro de uma história a que não queremos pertencer. Palpitante e aterrador, como nenhum outro vídeo nos deixou. 

David Bowie- "Lazarus" (Realização: Johan Renck)- Apenas Bowie poderia ter adivinhado a sua própria morte e construído toda uma alegoria visual em seu redor, que ainda hoje suscita questões sem resposta. Assustadoramente profético.

Kaytranada- "Lite Spots" (Realização: Martin C. Pariseau)- Um robot de garagem que percorre a cidade e absorve passos de dança de quem encontra pelo caminho ao som de um vitaminado sample de "Pontos de Luz" de Gal Costa - ora aqui está algo que não vemos todos os dias. Impossível não nos deixar de sorriso no rosto.

Sia- "The Greatest" (Realização: Sia e Daniel Askill)- À sétima parceria criativa do duo, a mensagem transcende a arte, e talvez por isso mais do que uma manifestação de criatividade, "The Greatest" seja uma expressão de dor. O maior tributo possível ao nefasto atentato de Orlando.

Kanye West- "Fade" (Realização: Eli Linnetz)- É o que guardamos da edição deste ano dos VMAs. Uma estreia exclusiva para TV que restituiu a dança enquanto método superior de tonificação corporal, trouxe Flashdance de volta à tona e transformou Teyana Taylor em estrela viral. Da metamorfose felina que encerra a trama, porém, nem uma pista.

Fifth Harmony- "That's My Girl" (Realização: Hannah Lux Davis)- Foram precisos quatro anos para as 5H cumprirem todo o seu potencial. Conseguem-no com um vídeo de orçamento faustoso que recaptura os dias áureos de Britney ou Destiny's Child. Imaculado. 

Banks- "Gemini Feed" (Realização: Philippa Price)- Jillian Banks lançou em 2016 o melhor vídeo de Lady Gaga. O figurino excêntrico, os ângulos dinâmicos e a aura sedutoramente obscura fazem deste o trabalho audiovisual mais imediato e retumbante da norte-americana. 

Alessia Cara- "Scars To Your Beautiful" (Realização: Aaron A)- É bom saber que no meio da cultura de likes, retweets e ditames de beleza irreais, há alguém que se preocupa em falar à nação sobre aquilo que é verdadeiramente importante. O vídeo com a melhor mensagem social do ano. 

Dawn- "Wake Up" (Realização: Sasha Samsonva)- Versão moderna de Sonho de Uma Noite de Verão, povoada por criaturas mitológicas, figurinos arrojados e coreografias intrincadas. Dawn Richard prossegue numa liga à parte a fundir sonoridades, eras e estéticas visuais. 

Miike Snow- "Genghis Khan" (Realização: Ninian Doff)- Na categoria de vídeos absurdos, a adorável narrativa visual de "Genghis Khan" dos suecos Miike Snow leva o troféu para casa. Do vilão assaltado pela ética moral que sucumbe de amores pelo cativo James Bond, ao magnífico bailado que se segue -  é o melhor filme que nunca chegaremos a ver.

Britney Spears ft. Tinashe- "Slumber Party" (Realização: Colin Tilley)- Não salvou 2016 nem a própria Britney, mas honrou por fim as suas restituídas capacidades enquanto Princesa da Pop. É o mais perto que estaremos do seu pico artístico do início dos anos 00 - não fica melhor do que isto. 

Coldplay- "Up & Up" (Realização: Vania Heymann e Gal Muggia)- O que tem falhado a nível musical aos Coldplay é compensado nas espectaculares narrativas visuais, das quais "Up & Up" será o ponto alto da campanha de A Head Full of Dreams. Surrealismo com propósitos conscienciosos sublimemente editados.

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