É Natal e Mariah Carey vive outra vez!


Tão válido é afirmarmos que não há Natal sem Mariah Carey e que Mariah Carey não existe actualmente se não por culpa do Natal. A relação simbiótica começou em 1994, quando a cantora decidiu lançar a sua primeira colecção festiva - Merry Christmas de seu nome - com um inescapável "All I Want For Christmas Is You" à cabeceira.

Mal a sua autora sonhava que essa incursão natalícia se tornaria décadas volvidas no seu seguro de vida (e de carreira) que ano após ano a volta a trazer à tona, ainda que de forma sazonal. E não é que a diva norte-americana se tenha encostado à sombra dos louros dos êxitos passados: só esta década já acrescentou três títulos à sua discografia e lançou mais de uma dezena de singles, mas todos (à excepção de "#Beautiful") incapazes de causar algum tipo de impacto junto do público.

Nunca como este ano essa afirmação fez tanto sentido, pois o supremo êxito natalício está a alcançar resultados tão bons ou superiores que no seu ano de lançamento. Veja-se: igualou o 2º lugar alcançado em 1994 na tabela de singles britânica e entrou pela primeira vez no top 10 da Billboard Hot 100, o que se explica pelo facto da canção não ter sido elegível para figurar na tabela à época. E é preciso recuarmos a 2009 para encontrarmos uma canção de Mimi entre as dez mais populares dos EUA: foi com "Obsessed", single de avanço de Memoirs of an Imperfect Angel.

Ainda assim, é impressionante que uma canção com vinte e três anos de existência - que em 2015 serviu de inspiração para um livro com o mesmo título e que já este ano deu origem a um filme de animação - continue não só a ressurgir anualmente como a ficar mais forte com o passar do tempo, recolhendo mais de 200 milhões de audições no Spotify, mais de 370 milhões de visualizações no YouTube e garantindo à sua intérprete cerca de 426 mil euros de royalties por ano.

Por mais candidatas que tenham tentado usurpar o título em anos recentes - de "Underneath the Tree" de Kelly Clarkson a "One More Sleep" de Leona Lewis, passando por "Santa Tell Me" de Ariana Grande - o clássico de Mariah continua a criar memórias e a ser descoberto pelas novas gerações. Mas porque razão continuamos a gravitar em seu redor?

É genialmente produzida - desenhada na tradição Motown dos anos 60 - superiormente cantada e almeja à verdadeira essência da quadra: o amor que nos une a outro alguém. Aliás, o "you" do refrão não poderia ser mais inclusivo. É esfuziante, esperançosa e gigantesca na sua entrega - em suma, indubitavelmente perfeita. 

Glória à Rainha do Natal! mas que durante o resto do ano não é assim tão sensacional

Comentários

Mensagens populares