The Chosen One

Britney Spears-"Circus"
Circus (2008)
 


"There's only two types of people in the world
the ones that entertain and the ones that observe
well baby, I'm a put-on-a-show kind of girl
don't like the backseat, gotta be first"
 
São estes os versos que dão o mote a "Circus", e que parecem resumir o propósito da existência de Britney Spears. Não é por acaso que a escolho novamente no mês de aniversário do blog, pois foi ela que me fez apaixonar pela pop há cerca de uma década atrás. Aviso que este não será um mero post de homenagem mas sim um desabafo pessoal do que significa a Britney dos dias de hoje, para mim e para o mundo.
 
Sinto falta de Britney Spears. Não que ela se tenha ausentado do panorama musical há muito tempo, não é disso que falo. Tenho sim saudades da velha Britney, aquela que era a princesa da pop. Acho que não sou o único a sentir isto, mas pelo menos devo ser a única pessoa com um blog de música capaz de o admitir e explicar o porquê.
 
Já aqui referi no passado que a Britney que o mundo conheceu foi vista pela última vez no vídeo de "3" em plena reflexão de carreira, mesmo no fim da década passada. O que veio a seguir - a era de Femme Fatale (2011) - foi uma pura ilusão. Isto porque apesar do álbum ter deslumbrado nos seus primeiros tempos, rapidamente foi remetido para a prateleira de artigos indispensáveis. Lá residiam as últimas tendências da electropop e produtores de primeira linha, mas faltou o mais importante: a Britney por quem nos apaixonámos. No lugar dela surgiu um andróide manufacturado sem pinga de alma que apenas veio cumprir um único propósito: manter o seu nome relevante no campeonato pop.
 
Com resultados comerciais bastante aquém do esperado e longe dos tempos áureos da sua carreira, pode-se dizer que Britney perdeu importância no turbulento panorama musical e, acima de tudo, perdeu uma grande oportunidade para recuperar ou ganhar o respeito da nova geração que não sabe o enorme significado que ela teve na pop do séc. XXI.
 
"I'm like the ringleader, I call the shots
I'm like a firecracker, I make it hot
When I put on a show"
 
Chegados a 2012, o que é que Britney se vê obrigada a fazer para voltar a estar na ordem do dia? Como a época das polémicas já vai longe, viu-se apenas com uma saída: ser jurada na versão americana do The X Factor, dando-se a conhecer ou a redescobrir a uma nação que não assistiu ou já não se lembra que antes de ser um nome maior dos tablóides, era um nome maior para toda uma geração que a idolatrou. Não que seja completamente contra isto, bem pelo contrário, até eu acho que é a forma mais eficaz de o conseguir sem perder a dignidade. Acontece que isto não lhe servirá para nada.
 
A Britney que vimos em Femme Fatale não foi resultado de preguiça ou fraca inspiração. Não. A Britney da nova década já não é a Britney de antigamente porque simplesmente desistiu de lutar. Desistiu de continuar a ser a princesa da pop. Eu não o percebi logo na altura, talvez iludido pelo meu desejo de a ver brilhar novamente, mas hoje percebo-o sem qualquer sombra de dúvida: acho que a perdemos. Para sempre.
 
Sinto-o na sua fraca ambição musical, nos seus movimentos descoordenados, nas suas palavras vagas e até na actual imagem que aparenta: o fogo no olhar extingiu-se.  Se a continuamos a ver enquanto artista, é apenas por obrigação, uma vez que há 14 anos atrás foi escolhida para se tornar num ícone de uma geração. Até ao fim dos seus dias terá que viver com o facto de ter sido a princesa da pop, e, por isso, há que continuar a sê-lo, mesmo que isso signifique ver apenas um espectro do que ela foi em tempos passados.
 
"I feel the adrenaline moving through my veins
spotlight on me and I'm ready to break
I'm like a performer, the dancefloor is my stage
better be ready, hope that you feel the same" 
 
Colocar um ponto final na sua carreira está, portanto, fora de questão. Mas entristece-me e assombra-me o pensamento do que ela se poderá vir a tornar nos próximos anos. Eu quero vê-la de novo no topo, de volta aos tempos de glória e nada me daria mais prazer do que ver isso a acontecer, mas simplesmente acho que é impossível.
 
Resta-me recordar a sua discografia e os excelentes momentos que nos proporcionou, como este "Circus" - o seu 2º melhor tema a seguir ao grandioso monumento pop, "Toxic" - e aguardar na mais angustiante expectativa o que a aparente maturidade dos 30 lhe reserva. Eu quero manter viva em mim a memória do pequeno rapaz cheio de sonhos que se encantou por ela e toda a geração que a viu crescer precisa de continuar a sonhar com o seu reinado. Se é mesmo verdade que os milagres às vezes existem, por favor, que este seja um deles.
 
"All eyes on me in the center of the ring just like a circus
when i crack that whip, everybody gon' trip just like a circus
don't stand there watching me, follow me, show me what you can do
everybody let go, we can make a dancefloor just like a circus"

Comentários

  1. 1º, acho que é o teu MELHOR texto de sempre!

    2º I still believe in miracles...


    Parabéns.

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  2. Era um post que há muito tempo tinha vontade de fazer e se é assim tão marcante é porque ela também o foi, é, e continuará a sê-lo para mim.
    Obrigado pelo elogio, inspirou-me a fazer mais e melhor, se possível =D

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