Guilty Pleasures

Este post foi originalmente publicado no Notas à Solta.

Para alguém que descobre o encanto da música pela via da pop, o termo nunca poderá fazer muito sentido. Não me coíbo de gostar de determinadas canções por muito ridículas que sejam, apenas não as ostento orgulhosamente ao peito como se reflectissem a minha identidade musical. Ninguém gosta de ficar mal na fotografia, certo? Queremos sempre mostrar o nosso melhor lado, mas há que conhecer também o feio e o mau para se compreender o todo. 

Penso que este punhado de canções não são extraordinariamente decadentes, mas não gosto de gostar delas. É daí que vem a "culpa", digamos. E só assim este termo me faz sentido. Ganha vida com estas três senhoras:

Agnes- "One Last Time"

Lembram-se da sueca que há um par de anos nos pôs a cantar "Releeeeeeeeaaaaaassse Me" (tem que ser assim mesmo, com convicção)? Pois, essa é capaz de não envergonhar ninguém. O que me traz aqui é uma canção sua bem menos animada, tão dramática que até mete dó. Não sou nada sentimentalão, mas a angústia que a pobre da rapariga sente é tanta que não consigo evitar deixar de senti-la também. Como se não bastasse, ainda desato num pran... ha-ha, isso queriam vocês, a trauteá-la incessantemente sempre que a oiço. Esforço-me ao máximo para esquecer que existe, mas de tempos a tempos, lá vem ela outra vez, tão triste e tão frágil... oh well, what's a boy gonna do?



Pixie Lott- "Lay Me Down"

O problema não é gostar de Pixie Lott. A miúda é gira que se farta, tem umas pernas estonteantes #legsalott, é uma excelente dançarina e sabe cantar mais do que aparenta. O problema está mesmo em gostar da sua discografia: engraçada no primeiro disco, terrível nos dois últimos. Então porque raio ainda não lhe dei uma tampa? Sei lá, acho que é daqueles encantos que não se desvanecem. Serei eu o único "seguidor" da sua carreira em Portugal? Talvez. Serei o único a lamentar um dia o fim da sua carreira? Completamente. Escolho "Lay Me Down", mas podia ser "All About Tonight", "Boys and Girls" ou "Kiss the Stars" - concordo, também acho que não posso descer mais baixo.



Taylor Swift- "Blank Space"

First things first: sempre detestei Taylor Swift. Aquela pop imberbe mascarada de country nunca fez o meu género e sempre me irritou solenemente vê-la a roubar o lugar cimeiro dos topes aos artistas que nunca esconderam ao que iam. Quando há meses atrás assumiu de vez a faceta pop que tanto teimava em negar, nem tive tempo para dizer que não. A "Shake It Off" não dava simplesmente para escapar, ainda hoje continua a ser irresistível. Já em relação a "Blank Space" podia ter virado costas, mas parte de mim não quis - a tal que necessita da sua dose de hits pop para sobreviver. Isto foi o melhorzinho que se arranjou no último trimestre de 2014: soa a uma versão mais cintilante e polida de "Complicated", de Miss Lavigne, extremamente aditiva e eficaz mas muito pouco substancial. Nem vale a pena lutar contra o sentimento de culpa: até que a campanha promocional de 1989 dure, não há escapatória possível. 



Agora sim, considerem-me sem pecados na culpa.

Espero que percebam que nunca me envergonharia de falar disto aqui no meu cantinho - aliás, falei das três canções na respectiva altura em que foram lançadas - mas tratando-se do blog da minha turma da ETIC, não só sou julgado pelos visitantes, como pelos meus colegas e professores. O melhor de tudo é que fui eu, na condição de editor da semana, que lançei o desafio. Fi-lo para quebrar algumas inibições que ainda possam haver acerca do que transpomos de nós para o blog. Não tanto por mim, a sinceridade em pessoa, mas por eles. Eu cá tive uma pontinha de vergonha, claro, mas diverti-me mesmo muito a fazer isto. And nothing else matters.

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