Um pouco mais de Sam Smith


Que Sam Smith há muito deixou de ser desconhecido, já todos sabem. Mas o quão magnífico é, creio que ainda nem todos perceberam. Não por andarem desatentas ao trabalho do rapaz, mas simplesmente porque os esforços mais visíveis dele não demonstram todo o seu potencial. Vamos por partes.

"Latch" e "La La La" são dois óptimos cartões de visita. Mas acontece que não são dele. Pertencem a Disclosure e Naughty Boy, respectivamente, que em boa hora o caro Samuel soube tornar em dois dos mais gigantescos hits do ano passado, catapultando as carreiras de ambos.

Sem surpresa alguma, em 2014 é chegada a revelação em nome próprio, momento para o qual o jovem Sammy escolheu lançar "Money on My Mind" como single introdutório, seguido de "Stay with Me". Dois temas bastante satisfatórios, mas relativamente pouco interessantes para alguém como ele que prometia tanto.

Confesso que estou ligeiramente desapontado com as escolhas, mas não desiludido, porque conheço a peça. E sei que é capaz de mais. Por essa mesma razão tomei a liberdade de escolher 3 canções gravadas por ele, que penso descreverem de forma bem mais elogiosa e justa o fabuloso intérprete e compositor que é. São elas:

"Nirvana"

A primeira amostra do seu EP de estreia com o mesmo nome, lançado em Outubro último, é, a meu ver, a sua melhor oferta até ao momento. Pedaço soul/R&B atmosférico que evoca os ambientes melódicos de Frank Ocean ou Miguel, mas superiormente cantado, com um alcance vocal sublime que é apenas de Sam Smith e mais ninguém. De fazer arrepiar a pele do pescoço e de ir ao céu e não mais voltar.



"Safe with Me"

Pertencente ao mesmo EP, "Safe with Me" parece ter vindo da mesma sessão de estúdio que trouxe ao mundo "Latch", mas os créditos indicam que foi produzida por Two Inch Punch, o mesmo homem responsável por "Money on My Mind". O foco continua a ser a voz de Sam, mas há uma maior abertura para experimentações sonoras -  ténues texturas electrónicas - e espaço para distorções vocais bastante interessantes.



"Make It To Me"

Não há gravação de estúdio alguma que se possa equiparar àquilo que este rapaz consegue fazer ao vivo e em registo acústico - veja-se o caso de "Lay Me Down", tão mais arrebatadora quando é cantada em formato stripped back - como acontece nesta belíssima rendição de um tema que surgirá no alinhamento deluxe de In The Lonely Hour, aqui com acompanhamento ao piano de Howard Lawrence (vénia), um dos irmãos Disclosure. 



Digam lá se estas canções não são melhores do que qualquer um dos cartões de visita que tem apresentado? Isto sim, é Sam Smith em todo o seu esplendor e fulgor artístico, banhando-nos na sua luz celestial como ser divino que é. Apesar disto, nada invalida que não se torne na maior revelação do ano, pois ainda falta conhecer o restante material que guardou para o longa-duração de estreia, editado já a 26 de Maio, e porque de momento não há ninguém à sua altura. É que ainda que precisemos de um pouco mais de Sam Smith, o pouco dele equivale ao normal de todos os outros. Valha-nos isso, ao menos.

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